Guia completo sobre as principais doenças sazonais e como se proteger

doenças sazonais
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O ângulo de inclinação e o movimento de translação da Terra (aquele que ela dá em torno do sol) são os fatores que definem as estações do ano. Quanto mais próxima do astro-rei, mais quentes e iluminados são os dias e, quanto mais longe, mais frios e curtos eles são. É fácil observar as mudanças que esses ciclos causam na natureza, e você certamente já percebeu que essas alterações provocam doenças sazonais.

Isso acontece porque uma série de eventos climáticos influencia a umidade relativa do ar, o ciclo de vida de diversos patógenos e, também, as chances desses agentes se proliferarem. Em conjunto, essas particularidades caracterizam as estações, que trazem consigo alguns incômodos, principalmente para quem já sofre com determinado distúrbio de saúde ou está com a imunidade baixa.

Por essas razões, é muito importante estar atento às doenças sazonais. Sabendo quais são os perigos de cada época do ano, fica mais fácil se prevenir e se manter longe de cada um deles. Pensando nisso, elaboramos este guia especial com algumas informações valiosas para você. Boa leitura!

Entenda o que são as doenças sazonais

O termo sazonal refere-se à periodicidade de determinados acontecimentos. Qualquer coisa que ocorra em um intervalo de tempo com início, meio e fim e dentro de uma certa frequência, é considerado sazonal. Ou seja, a palavra diz respeito àquilo que é temporário e relativo a cada estação do ano.

Nesse sentido, as doenças sazonais são aquelas tipicamente desencadeadas — ou agravadas — em uma época específica do ano. As diferenças na temperatura e as flutuações na umidade relativa do ar favorecem o desenvolvimento de algumas disfunções e complicam o seu processo de cura, também por causa dos hábitos que as pessoas mantêm em função da mudança climática.

Por exemplo, as baixas temperaturas do inverno fazem com que a população se aglomere em espaços fechados ou pouco ventilados, e isso facilita a propagação do vírus da gripe. Além disso, os ciclos de vida na natureza também afetam o nosso cotidiano.

É durante a primavera que a maioria das plantas está no seu auge reprodutivo, e a quantidade de pólen liberada no ar desencadeia crises de rinite em muita gente. Já o verão apresenta as condições especialmente propícias para que os mosquitos se reproduzam e, com eles, aumentam os riscos de contaminação por dengue.

Vale destacar que a propensão de uma doença ocorrer mais durante certa época do ano não significa que ela deixa de existir e que estamos livres dela nas outras estações. Além disso, há regiões no país em que as estações não são bem definidas ou que verão e inverno são marcados pelo volume de chuvas, e os cuidados devem ser estendidos. Mas ao saber que estamos mais expostos a determinado risco, podemos nos planejar e nos prevenir.

Conheça as principais doenças sazonais

Como mencionamos no tópico anterior, o fato de uma doença afetar um número maior de indivíduos em uma época do ano cujas condições propiciam o seu desenvolvimento não faz com que ela suma nas demais estações. Porém, estamos mais expostos aos seus riscos em determinados períodos.

Isso significa que os cuidados para não se contaminar jamais devem ser deixados de lado, mas devem ser intensificados nos períodos de maior disseminação de agentes patogênicos. A seguir, veja quais são as doenças mais comuns a cada estação do ano!

Primavera

A primavera é a estação transitória do inverno para o verão. As temperaturas ainda são amenas, mas a sua gradual elevação e o período mais prolongado de luz solar colocam em atividade diversos microrganismos que estavam inativos ou tinham suas funções limitadas pelo frio.

Além disso, a primavera é marcada pelo florescimento das plantas, e o pólen liberado em grande quantidade no ar favorece o surgimento de alergias e irritações. Outra característica da estação é o volume de chuvas, que costuma ser mais intenso nas primeiras semanas. É preciso estar atento a isso, pois as enchentes também podem propagar doenças, como a leptospirose.

Rinite alérgica

A rinite é um processo inflamatório que acomete a mucosa do nariz. Quando entramos em contato com certas substâncias, o organismo as interpreta como ameaças e desencadeia a hipersensibilidade nessa região.

Um jardim florido pode ser um verdadeiro pesadelo para quem sofre de rinite, mas vale lembrar que o contato com o mofo e com as sujidades no inverno também é inimigo dos alérgicos. Para diminuir o desconforto, a coriza e as crises de espirro, é importante manter as vias respiratórias sempre limpas e lubrificadas.

Escarlatina

A escarlatina é uma doença causada por uma bactéria após um episódio de amigdalite estreptocócica ou de faringite. Por conta das mudanças bruscas de temperaturas, é comum que ocorra na primavera.

Como a transmissão se dá pelo contato com a saliva ou com a secreção nasal de infectados (inclusive tosse ou espirro), convém evitar aglomerações, bem como compartilhar utensílios como copos e talheres. O tratamento é simples e feito com antibiótico.

Catapora

A catapora (ou varicela) é causada por um vírus que se torna mais ativo com as altas temperaturas. A transmissão também é pelo contato com as secreções de pessoas infectadas e, por isso, é altamente contagiosa.

Não tem muita gravidade nas crianças, mas os adultos infectados podem ter suas vias respiratórias comprometidas, então, é preciso atenção. A maneira mais eficaz de se proteger é tomando a vacina, oferecida gratuitamente pelo SUS.

Sarampo

Assim como a catapora, o sarampo é causado por um vírus que tem atividade favorecida pelo aumento da temperatura e também se propaga por meio das secreções. É uma doença potencialmente perigosa, que pode deixar sequelas, além de levar a óbito.

Normalmente, esses casos extremos são consequência do surgimento de infecções secundárias, que se instalaram devido à debilidade do organismo doente. A prevenção altamente eficaz se dá por meio da vacinação, também realizada pelo SUS.

Verão

No verão a Terra está mais próxima do sol, o que ocasiona as altas temperaturas e o grande volume de chuvas em diversas regiões do país. A combinação de água e calor é ideal para a proliferação de diversos organismos, como vírus, bactérias, fungos e insetos.

Também é uma época em que o contato corporal entre as pessoas tende a se intensificar, principalmente em períodos de festa ou nos ambientes compartilhados, como praias e piscinas de clubes. Essa soma de fatores resulta em uma grande facilidade para a disseminação de doenças.

Conjuntivite

A conjuntivite é uma inflamação na conjuntiva (membrana transparente que recobre o olho) que pode ser causada por vírus ou bactérias. No segundo caso, há formação de muco e o tratamento é via antibiótico.

Contudo, a conjuntivite também pode ser desencadeada como uma reação alérgica a substâncias poluentes ou irritantes, como cloro da piscina e pólen de flores. Para preveni-la, evite compartilhar objetos com pessoas infectadas e frequentar locais muito populosos, além de não coçar os olhos e lavar as mãos com frequência.

Dengue, Zika e Chikungunya

Ano após ano o Brasil registra inúmeros casos dessas doenças, que são mais facilmente disseminadas no verão devido à reprodução do mosquito transmissor dos vírus, o Aedes aegypti. Isso significa que os insetos não são os causadores da doença, mas sim seus vetores.

Os mosquitos dependem da água para completarem seu ciclo de vida, onde depositam seus ovos. Por isso, a forma mais eficaz de se proteger contra os arbovírus (vírus transmitidos por artrópodes) é eliminar todos os focos de água parada da residência.

Os sintomas das três doenças variam, podendo ser brandos ou agressivos. As doenças podem deixar sequelas como dores crônicas nas articulações por bastante tempo (Chikungunya), causar microcefalia nas crianças geradas por gestantes afetadas (Zika) e morte (Dengue).

Intoxicação alimentar

A intoxicação alimentar é uma doença sazonal, pois o número de casos aumenta consideravelmente no verão. As altas temperaturas propiciam a proliferação de microrganismos em alimentos malconservados, o que causa náuseas, vômitos, diarreia, dores musculares, dores de cabeça, desidratação e mal-estar.

As ocorrências costumam ser mais frequentes nessa época do ano também devido ao consumo de alimentos preparados sem higiene ou conservados de maneira incorreta por ambulantes ou nas barraquinhas de praia. Para se prevenir, certifique-se de que os alimentos estão dentro das normas sanitárias de preparação e conservação.

Micoses

A micose é uma infecção ocasionada por fungos e que atinge a pele, as unhas e o couro cabeludo. Não são afecções graves, porém causam incômodo, irritação, coceira e descamação da área afetada. Isso pode servir como porta de entrada para outras infecções, por isso, é bom ter atenção.

O verão também é o período mais propício para o surgimento de micoses diversas, pois calor e umidade são a combinação ideal de fatores para que os fungos se disseminem. Os tratamentos costumam ser longos (durando meses até), e é preciso ser persistente, já que os sintomas costumam sumir muito antes dos agentes causadores.

Para prevenir, o melhor é secar muito bem as dobras do corpo, como axilas e virilhas, e entre os dedos dos pés e das mãos. Além disso, use chinelo quando usar chuveiros compartilhados e evite andar descalço em vias públicas e usar sapatos fechados nessa época.

Outono

O outono chega trazendo temperaturas mais amenas, já que é a estação de transição para o inverno. Nas regiões em que o outono é bem definido nota-se um declínio na umidade relativa do ar, e o clima seco pode aumentar a poluição atmosférica e deixar as partículas por mais tempo em suspensão.

Também é uma época de amplitude térmica acentuada, ou seja, os dias são mais instáveis e a variação na temperatura é grande. As quedas ou elevações bruscas facilitam a contaminação por vírus e bactérias, pois nosso organismo tende a ficar debilitado ao tentar se adaptar a essas mudanças radicais.

Sinusite

A sinusite é uma inflamação nos seios da face, que são os espaços cheios de ar que se localizam dentro dos ossos faciais e do crânio (maçãs do rosto, testa e arredores do nariz e dos olhos). A inflamação é consequência de uma obstrução das secreções que passam por esses canais. Ela é desencadeada tanto por vírus ou bactérias quanto por reações alérgicas.

Essas reações alérgicas podem ser uma resposta à poeira, a agentes químicos, a cheiros fortes e, também, ao choque térmico. Por essa razão, o outono costuma irromper crises de sinusite, que pressionam os seios da face provocando uma dor intensa e constante.

Para prevenir o desenvolvimento do quadro, é importante manter as vias aéreas sempre limpas, evitar aglomerados e agasalhar-se bem. Também é essencial investir em uma alimentação saudável para fortalecer o sistema imunológico e se hidratar muito para fluidificar as secreções.

Resfriado

Resfriado é o nome comum que se dá à rinofaringite aguda. É muito confundido com a gripe, pois os sintomas são bastante semelhantes: espirros, tosse, coriza, dor de garganta e nariz entupido. Contudo, mais de 200 tipos de vírus causam resfriados, enquanto a gripe é oriunda somente do Influenza.

Os sinais clínicos do resfriado são muito mais amenos que os da gripe e, por ser uma doença autolimitada (que tem um decurso específico, chegando ao seu fim), geralmente não requer mais que repouso, ingestão de líquidos e aplicação de analgésicos e antitérmicos.

Mas convém não facilitar e ter as mesmas precauções já citadas para os patógenos que são transmitidos por meio das secreções, como evitar aglomerados e o compartilhamento de objetos pessoais e lavar as mãos com frequência.

Amigdalite

A amigdalite é a inflamação que acomete as amígdalas (ou tonsilas), que se localizam na porção superior do pescoço, mais especificamente no percurso entre a boca e a faringe. O processo inflamatório é ocasionado a partir do contato com vírus ou bactérias, tanto por via oral quanto nasal.

Os sintomas incluem dor local, manchas na garganta, inchaço, febre, mau hálito, dor de cabeça e rouquidão. Na maioria dos casos, anti-inflamatórios solucionam o problema, mas prevenir é sempre melhor que remediar.

Como o choque térmico é um gatilho para o desenvolvimento da doença, previna-se da amigdalite agasalhando-se bem, além de tomar os mesmos cuidados que as demais doenças que se propagam pelo contato com as secreções.

Inverno

Como você pôde notar até aqui, diversas doenças sazonais ocorrem em mais de uma estação, principalmente as de clima frio. Entretanto, a amplitude térmica do outono serve como um alerta para que você inicie os seus cuidados e os estenda até o fim da próxima estação.

No inverno estamos mais distantes do sol, o que explica as baixas temperaturas e as chuvas menos intensas, porém constantes, em determinadas regiões. Em outras, o inverno é seco, o que agrava o surgimento dos distúrbios.

Por isso, umidificar as vias aéreas e o ambiente é sempre uma recomendação. Contudo, a umidade excessivamente alta também não é o ideal, já que isso estimula a proliferação de inúmeros agentes infecciosos.

O inverno é a estação campeã no quesito doenças respiratórias porque os patógenos ficam dispersos no ar por mais tempo, além do fato de os ambientes permanecerem fechados por conta do frio. Isso impede a circulação do ar, o que diminui a sua renovação. O número elevado de pessoas em um mesmo local acelera a propagação dos vírus e das bactérias entre a população.

Além disso, nessa época é normal estarmos com o sistema imunológico debilitado em decorrência das forçosas adaptações do nosso organismo às mudanças climáticas. Por isso, todos os cuidados devem ser redobrados nesse período do ano.

Gripe

A gripe é a doença mais comum do inverno e, mesmo com as amplas campanhas de vacinação ao redor do mundo, milhares de pessoas morrem todos os anos em função de complicações secundárias ou devido à gravidade do tipo de vírus que as infectou. A gripe é transmitida pelo Influenza, que é subdividido em categorias e em subtipos.

O vírus H1N1, por exemplo, faz parte da classe A. Todos os subtipos de vírus Influenza são transmitidos com muita facilidade por meio do contato com as secreções de pessoas contaminadas. A aglomeração de pessoas em locais fechados, com pouca circulação de ar, alavanca o contágio.

Os sintomas são idênticos aos do resfriado, porém, muito mais intensos, o que faz com que o doente tenha uma maior inclinação para buscar ajuda médica. Contudo, a gripe também é autolimitada e, geralmente, encerra seu ciclo dentro de sete dias, com o paciente tomando seus próprios cuidados em casa.

Como há décadas o Influenza é adaptado à população humana, ele costuma acometer mais agressivamente as pessoas dos extremos de faixa etária, os idosos e as crianças. Dependendo do estado de saúde do indivíduo, pode haver necessidade de internação.

As recomendações de prevenção são: evitar lugares aglomerados, manter locais sempre arejados e limpos, não compartilhar objetos com pessoas doentes e cobrir o rosto sempre que for tossir ou espirrar, para evitar contaminar outras pessoas.

Asma

A asma é uma doença crônica desencadeada pela combinação de fatores ambientais (poeira, poluição, pólen, fungos, ácaros, fumaça, aerossóis etc.) e predisposição genética (histórico familiar de asmáticos), quando a sua origem é alérgica. Mesmo assim, é considerada sazonal, pois os nossos hábitos de inverno agravam a situação, bem como as mudanças bruscas de temperatura.

Já a asma não alérgica é causada por motivos emocionais e, até mesmo, pela prática de exercícios físicos. Independentemente do tipo, a disfunção é uma inflamação nas vias respiratórias que provoca broncoconstrição, resultando em chiados no peito, tosse e incidentes de extrema falta de ar.

A prevenção se dá mais pelas mudanças no hábito de vida dos acometidos, já que a asma tem um componente genético. O tratamento envolve o uso da famosa bombinha, que é uma medicação broncodilatadora, aliado à nebulização — prática que mantém as vias aéreas limpas e hidratadas, facilitando a respiração.

Pneumonia

A pneumonia é, na maioria das vezes, causada por bactérias que se instalam nos alvéolos pulmonares, provocando a produção de líquido na região e uma grande dificuldade de respirar. Outros sintomas incluem febre alta e tosse seca ou com catarro esverdeado ou amarelado (indicando a infecção por bactérias).

Outros agentes patogênicos podem desencadear pneumonia, como fungos, vírus e alergênicos, mas são casos mais raros, pois a vacinação é muito eficaz. Além disso, como as bactérias são transmitidas pelas secreções, os mesmos cuidados preventivos contra a gripe, o resfriado e outras doenças que citamos aqui devem ser tomados.

A pneumonia exige muita atenção especialmente quando o paciente é uma criança ou um idoso, faixas etárias mais suscetíveis à doença devido ao sistema imunológico imaturo ou debilitado.

Saiba como se proteger e ter mais qualidade de vida

Você deve ter percebido ao longo do artigo que as doenças sazonais estão intimamente ligadas ao nosso comportamento individual e populacional em cada época do ano, não é mesmo? Se por um lado pensamos que não há muita escapatória, já que os vírus e as bactérias se espalham com rapidez e facilidade, por outro nos damos conta de que basta termos cuidados simples para nos proteger deles.

Como a maioria dessas doenças é transmitida pelo contato com os fluidos corporais de pessoas contaminadas, é importante levar a sério as recomendações dos órgãos de saúde para se prevenir. Manter boas práticas de higienização, lavar as mãos com frequência e evitar tocar o rosto quando estiver na rua pode fazer a diferença entre se afetar ou não pelos patógenos.

Além disso, para a maioria dessas enfermidades existe vacinas altamente eficazes, e é de suma importância que todos sigam o calendário de vacinação do Governo. Trata-se de um cuidado pessoal e uma questão de consciência social, já que vacinado você não transmite a doença para as outras pessoas.

Entretanto, há um outro ponto que devemos chamar a atenção, que é a mudança de hábitos. Além desses simples cuidados pontuais, é essencial manter uma alimentação saudável e uma vida equilibrada (longe do estresse) para garantir que o seu sistema imunológico responderá bem a qualquer tipo de ameaça.

Para quem é portador de alguma doença crônica, como a asma, a qualidade de vida é determinada pela eliminação de hábitos nocivos (como o tabagismo) e a inclusão de hábitos saudáveis, como a nebulização e a limpeza da casa. Contudo, convenhamos, essas são atitudes que melhoram a vida de qualquer pessoa, concorda?

Muito bem! Agora você já sabe quais são as principais doenças sazonais e como se proteger delas. Vivemos em um período considerado o mais saudável da nossa história, dada a quantidade de informações e a disponibilidade de vacinas e tratamentos para as disfunções. Então, mantendo uma rotina próspera, que fortaleça o seu organismo, e tomando os cuidados recomendados pelos especialistas, você estará bem!

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