Doutor Responde: esclareça as principais dúvidas sobre hipertensão e coronavírus

hipertensão e coronavírus
8 minutos para ler

Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou como uma pandemia o surto de COVID-19, detectado em dezembro de 2019 na China. A doença, que exige cuidados mais intensos do que a gripe comum, tem se mostrado mais agressiva em idosos, hipertensos, diabéticos e cardíacos.

Afinal, qual a relação entre hipertensão e coronavírus e quais cuidados esse grupo de risco deve tomar para se proteger contra a doença e do estresse que ela tem gerado?

Para responder a essas e outras dúvidas, conversamos com o Dr. Marco Mota, especialista em Cardiologia e hipertensão, investigador principal do Centro de Pesquisas Clínicas do CESMAC e consultor da Omron Healthcare. Confira!

Por que os hipertensos fazem parte do grupo de risco do coronavírus?

O Dr. Marco Mota explica que essa constatação nasce da observação. Desde que o surto começou, na China, foi observado que as populações que manifestavam a forma mais grave da doença eram de grupos de pessoas idosas com hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e outras morbidades.

“Não é, simplesmente, o hipertenso de qualquer idade que faz parte do grupo de risco. A hipertensão, por si só, se estiver controlada, não aparece como um fator de risco gritante. Embora tenhamos formas graves em pessoas jovens, o problema da morbidade é essa junção: idade avançada com outras doenças associadas”, comenta o médico.

A questão do hipertenso idoso está dentro da fragilidade da idade. Qualquer epidemia vai atingir esse grupo pela faixa etária, pois são pessoas que, teoricamente, são mais frágeis a doenças, já que o sistema imunológico sofre alterações naturais no processo de envelhecimento.

E quanto ao remédio usado pelos hipertensos?

Dr. Marco Mota chama a atenção para a ainda mal resolvida polêmica de que o remédio que os hipertensos tomam poderia contribuir para a penetração do coronavírus no tecido celular pulmonar. O remédio mais usado para tratar hipertensão no Brasil, a losartana, poderia facilitar a penetração do vírus.

Porém, o médico enfatiza: por enquanto, isso não é comprovado. “Por isso, não recomendamos que os pacientes suspendam a medicação. A Medicina é uma ciência imprecisa e de verdades transitórias, mas todas as autoridades internacionais e nacionais defendem que o paciente hipertenso continue se tratando”, afirma.

Dr. Marco Mota comenta, ainda, que o problema seria bem maior se os hipertensos interrompessem a medicação, pois assim eles ficariam frágeis a outras doenças. Ou seja, os hipertensos devem continuar atentos à sua condição. 

Também é importante não fazer o que chamamos de autoajuste — quando o paciente altera o modo como toma o remédio porque verificou a pressão e percebeu que ela estava alta ou baixa. O cardiologista alerta: isso não é recomendado.

Quais cuidados esse grupo deve ter em relação ao coronavírus?

As recomendações para a população em geral incluem ficar em casa, lavar as mãos frequentemente e usar álcool 70% em gel. Pensando em cuidados específicos para os hipertensos, Dr. Marco Mota comenta que a preocupação dos especialistas é que essas pessoas tenham outras intercorrências, já que estão sozinhas em casa e não podem fazer uma consulta de rotina como estão acostumadas.

Para quem está inseguro porque seu médico não está atendendo, ou com medo de ir até os hospitais, Dr. Marco Mota manda uma mensagem contundente: mantenha a calma. O médico frisa ainda que, em momento algum, o tratamento deve ser negligenciado.

É importante tomar os medicamentos prescritos no momento que foi combinado e não se esquecer deles. Estando em casa, também é essencial se movimentar para estimular a circulação, pois esses pacientes estão mais sujeitos a ficarem prostrados na cama.

Como verificar a pressão em casa?

O médico avisa que o hipertenso não deve verificar sua pressão de forma desordenada e incessante, se tiver o aparelho em casa. Ele aconselha que, para saber se a pressão está controlada, todos os dias, ao acordar e antes da primeira refeição, descanse por ao menos 5 minutos e faça duas verificações com intervalos de 1 minuto.

À noite, antes do jantar, pode repetir esse mesmo procedimento. “É importante que isso seja feito em um ambiente tranquilo. Esvazie a bexiga, apoie o braço em uma mesa recostada na altura do coração e não converse durante a verificação”, observa Dr. Marco Mota.

O médico segue: “No primeiro dia, o paciente deve ter duas medidas pela manhã e duas à noite, totalizando quatro. Faça o mesmo no segundo dia, somando mais quatro medidas, e repita também no terceiro dia”. O que ele sugere é medir a pressão de forma sistemática, e o que vai valer é a média dessas 12 medidas.

“Se ele estiver com a média de 140 por 90, pode ficar tranquilo, pois está tudo indo bem. Se estiver com uma média muito alta, acima desse valor, deve fazer contato com seu médico por telefone. Nada de ir ao hospital”, explica. Ademais, Dr. Marco Mota chama a atenção para o estresse causado pela grande quantidade de notícias sobre coronavírus.

O estresse altera a variabilidade da pressão. Então, não é indicado medir a pressão no momento que estiver com dor de cabeça, estressado ou após um susto. É preciso medir de forma sistemática como o cardiologista sugeriu.

Quais sintomas da COVID-19 demandam maior atenção dentro desse grupo?

Os sintomas alarmantes são a presença de uma infecção com febre, coriza, tosse e, especialmente na população hipertensa idosa, falta de ar. O médico dá um conselho simples: se você tem uma escada em casa, por exemplo, é bom observar se o mesmo esforço que fazia antes para subir, agora está deixando-o cansado. Se sim, esse é o momento de procurar um médico.

A COVID-19 pode se manifestar como uma forma benigna de resfriado, mas, quando agrava, é por meio dos pulmões. “A doença mexe com os pulmões 5 dias antes. É um cansaço progressivo. Se estou com a síndrome gripal e posso estar contaminado, não há necessidade de ir para o hospital. Porém, se percebo que, além da minha síndrome gripal, começa a aparecer cansaço intenso, é o momento de procurar o hospital”, avisa Dr. Marco Mota. 

Quando o hipertenso deve procurar o hospital?

Dr. Marco Mota explica que o coração humano bate de 80 a 100 mil vezes por dia e nunca repete a mesma pressão. Essa pressão, medida em momentos aleatórios, não é representativa. O que deveria levar o hipertenso a consultar o médico ou ir ao hospital são sinais de agravamento do quadro de hipertensão, como:

  • tontura;
  • falta de ar;
  • dor no peito;
  • perda de força em um dos membros.

Esses são os indicativos de que o hipertenso está tendo outra complicação que nada tem a ver com o coronavírus. É um quadro que o hipertenso — bem-tratado ou não — pode apresentar. Nesse caso, aconselha-se procurar uma urgência ou emergência.

“Se a pressão é 130, mas mediu e deu 160, isso não é crise hipertensiva. A partir dessa informação, ele deve fazer o protocolo que recomendamos para analisar a média. Essa pressão é jogada fora quando você dilui as informações a uma média”, revela Dr. Marco Mota.

Quais os principais cuidados em relação à hipertensão e coronavírus?

Dentro de tudo o que conversamos com o cardiologista, ele destaca o que considera mais importante:

  • manter a calma;
  • não medir a pressão desordenadamente;
  • medir a pressão cumprindo a orientação médica;
  • não deixar de tomar o medicamento nos horários corretos.

Como podemos perceber, a COVID-19 tem deixado muita gente ansiosa, principalmente as pessoas que fazem parte dos grupos de risco. No que se refere à díade hipertensão e coronavírus, os especialistas da área aconselham cautela, tranquilidade e persistência no tratamento já estabelecido com o seu médico, já que os problemas decorrentes da interrupção do medicamento podem ser bastante graves.

Nosso artigo foi esclarecedor para você? Então, deixe seu comentário e compartilhe a sua opinião ou a sua experiência conosco!

Você também pode gostar

Deixe um comentário