Vacinação de idosos: conheça o calendário e a importância de mantê-lo em dia

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A campanha nacional de vacinação em idosos é realizada anualmente no Brasil desde 1999, em parceria com secretarias estaduais e municipais de saúde. O principal objetivo é a melhoria da qualidade de vida dessa população, protegendo-a de complicações de diversas doenças.

A preocupação com os idosos se deve à condição de serem mais vulneráveis, principalmente às doenças pulmonares agudas. Isso ocorre devido ao envelhecimento natural do sistema imune, que reduz sua capacidade de combater vírus e bactérias.

Neste artigo, vamos comentar sobre a importância da imunização e apresentar as principais vacinas do calendário brasileiro para idosos, bem como a finalidade de cada uma e em quais situações elas não devem ser tomadas. Continue a leitura para saber mais!

Qual é a importância da vacinação de idosos?

A imunização é indispensável para prevenir doenças, promover o bem-estar do idoso e salvar vidas. Nesse sentido, é importante observar que várias doenças comuns no mundo todo foram combatidas por meio da ampla vacinação, proporcionando mais saúde às pessoas.

Exemplos disso são as vacinas contra sarampo, poliomielite, rubéola, coqueluche e tétano. Isso é possível porque as vacinas ajudam a melhorar o funcionamento do sistema imunológico.

As vacinas e o sistema imune

Quando somos infectados pela primeira vez por algum vírus, nosso sistema imune produz anticorpos para combater o invasor. Mas quando não há imunização, e entramos em contato com ele, a produção de anticorpos não atinge a velocidade suficiente para combater a doença.

Nesse caso, o sistema imunológico não reconhece o invasor, abrindo espaço para a sua atuação. É dessa forma que adquirimos doenças que podem provocar complicações e levar a óbitos.

A vacina evita que isso ocorra por meio do aumento da imunidade. Assim, quando aquele mesmo organismo invade o corpo novamente, o sistema imune consegue produzir anticorpos em uma velocidade ideal para combatê-lo.

Benefícios da imunização em idosos

A vacinação em idosos diminui as internações, bem como o risco de morte provocado por doenças como as cerebrovasculares, cardíacas, a pneumonia e a influenza (infecção viral aguda do sistema respiratório). Além disso, com o surgimento de novos vírus e bactérias a cada ano, as vacinas têm sido essenciais para combater diversos tipos de gripe.

Quais são as principais vacinas para idosos?

Difteria e Tétano

A vacina conhecida como dupla viral, ou dT, protege contra infecções por difteria (altamente contagiosa) e tétano, uma doença infecciosa grave que pode levar a óbito. Ela deve ser tomada a cada dez anos, como doses de reforço para os indivíduos que foram vacinados regularmente na infância.

Já para idosos não vacinados ou sem registros da vacina, é recomendada a aplicação do esquema de três doses, com um intervalo de dois meses entre cada uma, e, posteriormente, o reforço a cada dez anos.

Febre amarela

Essa vacina é oferecida gratuitamente pelo SUS, podendo também ser encontrada em clínicas privadas. É indicada para idosos que não foram vacinados previamente, somente após a avaliação de risco/benefício.

Ela protege contra a infecção provocada pela febre amarela, uma doença viral grave transmitida por mosquitos. Por isso, é indicada para residentes em áreas endêmicas, pessoas que viajarão para esses locais e sempre que houver exigência internacional, em regiões consideradas sem risco.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), não existe um consenso sobre a duração da vacina para proteção da doença. Por isso, é preciso considerar o risco epidemiológico para aplicação de uma segunda dose.

Gripe

A vacina contra a gripe é oferecida anualmente em aplicação única e gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Trata-se de uma imunização muito importante, já que ela reduz o risco de contrair a doença em 90% dos casos, apresentando riscos mínimos para reações.

Tais reações, quando ocorrem, causam apenas uma leve dor e vermelhidão no local da aplicação. Em casos raros, podem ocorrer febre baixa, mal-estar e dor no corpo, sintomas que persistem entre 24 a 48 horas.

Hepatite

A vacina contra a Hepatite A e B é indicada para pessoas que nunca foram vacinadas ou para as que não têm registros de vacinação. A imunização contra a Hepatite A é aplicada somente após uma avaliação sorológica ou quando há exposição ou surto.

A sorologia pode ser solicitada para identificação da necessidade ou da não administração da vacina. Em pessoas que tiveram contato com doentes com hepatite A, ou em casos de surto da doença, a vacinação é recomendada.

A vacina combinada com as hepatites A e B é uma opção e pode substituir as aplicações isoladas para as hepatites A e B. Elas são oferecidas apenas em clínicas particulares.

Herpes zoster

A vacina que protege o organismo contra a infecção provocada pelo vírus herpes zoster é aplicada em dose única, apenas em clínicas privadas. Ela é recomendada mesmo para aqueles que já desenvolveram a doença. Nesses casos, é importante aguardar o intervalo mínimo de um ano após a última manifestação aguda.

Meningite meningocócica

A vacina meningocócica conjugada ACWY, com dose única, é indicada em situações de surtos e viagens para áreas que apresentam risco. A necessidade de reforço é considerada com base nas condições epidemiológicas.

Segundo recomendações da SBIm, quando não houver disponibilidade dessa vacina, ela deve ser substituída pela vacina meningocócica C conjugada. Esses imunizantes são encontrados em clínicas privadas.

Pneumonia pneumocócica

A imunização pneumocócica previne infecções provocadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, especialmente a pneumonia e a meningite bacteriana. Além disso, ela impede que esse micro-organismo se espalhe e provoque uma infecção generalizada no organismo.

Há dois tipos de vacinação contra a pneumonia em idosos: a Polissacarídica 23-valente (VPP23), com 23 tipos de pneumococos, e a Conjugada 13-valente (VPC13), com treze tipos. Elas são encontradas somente em clínicas particulares.

A vacinação deve ser iniciada com uma dose da VPC13, seguida de uma dose de VPP23 após seis a doze meses. A segunda dose de VPP23 só deve ser aplicada depois de cinco anos da primeira. Para as pessoas que já receberam duas doses de VPP23, é recomendável uma dose de VPC13, com intervalo mínimo de doze meses após a última dose de VPP23.

Tríplice viral

A tríplice viral consiste em uma vacina que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Ela é disponibilizada apenas em clínicas privadas de vacinação e aplicada em duas doses, com intervalo de, no mínimo, um mês.

Essa vacina é indicada em casos de probabilidade aumentada para infecção, como em situações de surtos, viagens para regiões que apresentam risco, pessoas que não tenham sido imunizadas com as duas doses da vacina ao longo da vida ou que nunca foram infectadas.

Como é o calendário de vacinação em idosos no Brasil?

O calendário de vacinações para idosos é elaborado conforme recomendações da SBIm em conjunto com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Ele inclui oito tipos de imunizações contra doenças como gripe, tétano, difteria, pneumonia pneumocócica, hepatite, tríplice viral, meningite meningocócica e herpes zoster.

No calendário constam indicações, recomendações e comentários que guiam a vacinação para essa população e servem como base para as campanhas anuais para prevenir a gripe e evitar o agravamento de doenças.

Em quais situações os idosos não devem tomar as vacinas?

Em geral, as vacinas para idosos são seguras e precisam ser tomadas, segundo as recomendações do calendário, para que sejam garantidos os efeitos de proteção, principalmente às doenças respiratórias.

Entretanto, para alguns casos, como os de pessoas com histórico de reação anafilática ou alergia ao ovo de galinha e seus derivados, bem como a qualquer outro componente da vacina, ela não deve ser aplicada. Além disso, quando o idoso se encontra em quadro febril ou tiver alguma alteração na coagulação sanguínea, o médico precisa ser consultado para analisar os riscos.

As vacinas contra a febre amarela e herpes zoster precisam ser evitadas por pessoas com doenças que reduzem a imunidade, como câncer, diabetes, AIDS ou uso de medicamentos imunossupressores, quimioterápicos ou radioterápicos.

Como vimos, há várias vacinas que fazem parte do calendário brasileiro de vacinação de idosos. Elas são essenciais para aumentar a imunidade e prevenir complicações, principalmente de doenças sazonais, como a gripe, entre outras.

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